O futuro do dinheiro

Estaremos a caminhar mesmo para um futuro sem qualquer dinheiro físico? Estarão os negócios a aproximar-se de modelos de transação desmaterializados? Estará mesmo o dinheiro a desaparecer?

Estas são algumas perguntas que grande parte dos especialistas em moeda internacionais se colocam. Cada vez mais as tecnologias suportam soluções que colocam em causa modelos operativos antigos e consolidados, substituindo-os por formas de interação que há algumas dezenas de anos não considerávamos serem possíveis. No entanto, devemos estar atentos aos sinais e ao mercado em si.

Sinal disso mesmo são as tendências que o retalho internacional nos apresenta. Não é tão comum em Portugal, mas nos países do centro da Europa, tal como os Países Baixos, Bélgica ou Alemanha facilmente se encontram estabelecimentos que não aceitam pagamentos com dinheiro físico.

Esta tendência crescente tem vindo a ser cimentada por questões que muitas vezes estão ligadas ao conforto do uso de pagamentos eletrónicos e á sua eficiência.

Por outro lado, e isso é inegável, a velocidade de transação acaba por ser muito interessante.

No entanto, não é possível simplesmente descartar o dinheiro físico.

Cinco razões para continuarmos a usar dinheiro físico.

1. É mais acessível

Um particular beneficio do uso de dinheiro físico é a sua acessibilidade imediata, algo que com os pagamentos desmaterializados pode não se comprovar. Em média, o uso do cartão atrasa a liquidez em 1 a 3 dias. Quer isto dizer que os negócios que dependam apenas de dinheiro em formato virtual podem ver o uso do deu dinheiro comprometido. Obviamente, o dinheiro físico é imediato.

Imaginemos uma situação em que é necessário executar um pagamento ao balcão e o estafeta que vem entregar a encomenda não tem terminal multibanco ou outro meio digital de recebimento. Se não houver dinheiro físico, o pagamento não conseguirá ser feito.

2. Não tem taxas

Genericamente falando, claro. A verdade é que há pessoas que simplesmente não estão disponíveis para pagar taxas associadas a transações. Obviamente, tal possibilidade é inteiramente cumprida pelo dinheiro físico.

3. É anónimo

O dinheiro físico é completamente anónimo o que faz dele um meio interessante para os utilizadores que queiram permanecer “fora do radar”. Claramente que os pagamentos em dinheiro vivo são muito associados à economia paralela.

4. É fácil de usar

Nem toda a população tem a mesma capacidade e literacia para as tecnologias. Apesar do multibanco já nos acompanhar há muitos anos, a verdade é que há uma fatia da população muito vulnerável e que ficaria excluída do sistema de pagamentos se estes fossem completamente digitais. E não nos estamos a referir apenas aos idosos ou infoexcluídos. Neste grupo incluem-se também as pessoas mais vulneráveis, os que vivem em zonas mais remotas ou despovoadas e ainda as crianças que usam o dinheiro dos pais (mas não o cartão!). Acrescentemos a este grupo ainda a população que simplesmente não usa telefone nem serviços bancários tradicionais.

Noutra perspetiva, a verdade é que a COVID-19 veio ajudar a catapultar para os pagamentos digitais todos aqueles que precisavam de um empurrão. No entanto, não é possível ter esse efeito em toda a população.

5. Continua a ser muito usado

O dinheiro físico continua a ser muito usado em todo o mundo, em particular para pagamentos pequenos! Em Portugal, em 2019, 81% das transações em locais de pagamento foram feitas com recurso a dinheiro vivo.

Deixamos, de seguida, dois dados adaptados de um estudo realizado em 2020 sobre o uso do dinheiro na zona Euro. Como podemos comprovar, o uso do dinheiro é ainda muito significativo.

% de pagamentos realizados em dinheiro na Europa

Conclusão

Tem existido uma pressão forte se adotar sistemas de pagamento que não envolvam dinheiro físico. Nos últimos anos temos visto tendências que confirmam isso mesmo, sejam elas de origem das próprias pessoas, sejam elas provenientes da intenção dos negócios. Porém, dificilmente algum especialista em moeda é capaz de afirmar que o dinheiro físico vai acabar. A justiça universal no seu acesso é uma característica que não pode ser replicada por qualquer banco, exatamente pela natureza destas últimas instituições.

Fontes

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